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Americanas (AMER3): Empresa está mais próxima de falir ou de sair do buraco?

Por Renan Dantas - 11 jan 2024, 17:02 - atualizado, 17:19



Logo que o rombo foi revelado, a possibilidade da empresa pedir falência chegou a ser cogitada por especialistas (Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Um ano após divulgar uma das maiores fraudes da história do Brasil, o futuro da Americanas (AMER3) ainda possui mais dúvidas do que certezas. Isso porque antes mesmo da divulgação do rombo, de cerca de R$ 20 bilhões, a empresa já ‘penava’ para conquistar as carteiras dos investidores.


A grande sacada foi, justamente, ter escalado Sergio Rial, nome com ‘grife’ no mercado e de confiança do trio de acionistas controladores, para colocar a companhia de volta nos trilhos (e no caminho do lucro).


Rial prometia digitalizá-la e torná-la competitiva para bater com as gigantes estrangeiras (Amazon e Mercado Livre), além das nacionais Magalu (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3). Porém, o que se viu foi um fato relevante, com pouco mais de duas páginas, revelando uma ‘inconsistência’ contável com o dobro do valor de mercado da empresa — à época, a Americanas valia R$ 10 bilhões, segundo dados da Quantum Finance.


Seguiu-se a partir daí uma batalha entre os principais credores, leia-se bancos, e a empresa, com troca de acusações e ânimos a flor da pele. A Verde Asset, uma das maiores gestoras do mercado, por exemplo, chamou o caso de ‘a maior fraude da história corporativa do Brasil’. Os principais alvos eram Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Carlos Telles, tidos como ‘deuses’ do capitalismo brasileiro. Com a reputação em xeque, não restou outra alternativa ao trio a não ser salvar o que restou da companhia.


Com a pressão de bancos, em semanas, a empresa se viu obrigada a pedir recuperação judicial. A partir de então, começou-se um processo de ‘enxugar’ as operações com o fechamento de lojas e demissão de funcionários. Entre janeiro e outubro foram fechadas 121 unidades e mais de 5 mil funcionários demitidos. Por outro lado, o fluxo de clientes desabou 7 milhões em dezembro ante o mesmo período de 2022.


Mais próximo ou mais longe da falência?


Logo que o rombo foi revelado, a possibilidade da empresa pedir falência chegou a ser cogitada por especialistas. Além da dívida gigantescas (no pedido de recuperação judicial, a Americanas declarou R$ 50 bilhões em débitos), havia dúvidas se o trio de acionistas da 3G fariam, ou não, o aporte, fundamental para acalmar os bancos.


Sempre falamos que empresas morrem por caixa. Com a injeção de R$ 12 bilhões por parte dos acionistas e mais R$ 12 bilhões do banco, isso compra tempo com relação ao risco de falência. Dinheiro no caixa é que nem combustível no avião. Ele ganha uma sobrevida de horas de voo, mas não quer dizer que ele não vai cair”, assinala Max Mustrangi, sócio fundador da Excellance, empresa que atua na reestruturação de empresas.


Já Wagner Moraes, economista e CEO da A&S Partners, diz que passado um ano após o início da crise, a situação da empresa mostra sinais de estabilização, porém, ainda há desafios muito grandes pela frente.


“Embora a aprovação do plano de reestruturação junto aos credores seja um fator positivo, indicando uma possível diminuição do risco de falência, a situação ainda é delicada e sujeita a variáveis legais e de mercado. Em resumo, a chance de falência diminuiu, porém, a recuperação da empresa ainda é incerta, traz riscos e dependerá de vários fatores, incluindo a eficácia e boa execução do plano de reestruturação, bem como o desfecho das questões legais necessárias à sua aprovação”, coloca.


Sobre o plano de recuperação, Roberto Gonzalez, especialista em governança corporativa, diz que, aparentemente, houve transparência na condução do processo.


“Teve uma mudança que foi feito antes da assembleia. Houve uma mudança de última hora, e os credores queriam mais tempo para ler. Mas houve a transparência possível. Sempre se vai querer que todos os credores sejam ouvidos, mas às vezes o ótimo é inimigo do bom. Você faz com um volume grande, que não conseguiu discutir com todo mundo”, coloca.


O que esperar a partir de agora?


Caroline Sanchez, analista da Levante Corp, diz que agora vem a mudança na estrutura operacional. “A companhia ficará mais nixada. É possível conseguir se reerguer, mas existe um ceticismo por parte do mercado devido ao seu tamanho”, coloca.


Já Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, recorda que o varejo, em si, passa por dificuldades e mesmo empresas bem consolidadas e com saúde financeira sofrem com o atual ambiente macroeconômico.


“Outras companhias como o Magazine Luiza, tida como a melhor do setor, não tem sido bem-sucedida em angariar o apoio dos investidores, apesar das finanças equilibradas”, coloca.


Moraes, da A&S Partners, diz que, até o momento, a empresa fez o que estava em seu alcance, porém ainda possui variáveis relativas à sua capacidade de geração de caixa para fazer frente as dívidas assumidas e alongadas, que ainda trazem dúvidas para o mercado sobre a sua real capacidade de recuperação.


Qual será o futuro da Americanas?


Moraes afirma que a, agora, a empresa, precisa se reinventar e reposicionar a sua marca, linha de atuação e produtos, possivelmente focando em produtos de baixo valor agregado e reduzir as suas operações, em contraste com seu posicionamento anterior de competir com as grandes do varejo e do e-commerce.


Outro ponto importante é a empresa investir em uma equipe de marketing bem preparada e muito bem envolvida, com um forte vínculo com as redes sociais, lembra Gonzales. “Não pensando agora, mas para preparar o terreno para 2025. 2024 é o ano crucial para saber se a empresa vai ou não vai”, completa.


O que diz a Americanas?


Em nota enviada ao Money Times, a Americanas diz que após o ano mais desafiador de sua história quase centenária, entra em 2024 dando início a uma nova fase.


“A companhia pretende retornar a ser referência em varejo simples, descomplicado e que atende às necessidades das famílias brasileiras”, discorre.

Ainda segundo a companhia, a aprovação da recuperação judicial permitirá a captura plena da transformação prevista no Plano Estratégico da Americanas, assim como sua reconstrução operacional e financeira, com retomada de crescimento e impacto imediato na preservação de milhares de empregos diretos e indiretos gerados em todo o país.


“O objetivo da companhia para os próximos anos é continuar a ser o operador de varejo mais simples e diverso do país, com presença em todo o Brasil, suporte de uma robusta malha logística, um marketplace que privilegia a experiência de consumidores e sellers e o relacionamento próximo com seus milhares de clientes”, discorre.


“Para 2024, a nova Americanas pretende seguir trabalhando incansavelmente no fortalecimento de seu próprio negócio e na construção de uma nova cultura para seus mais de 30 mil colaboradores, absolutamente comprometidos com a retomada de crescimento da companhia, e a satisfação de fornecedores, sellers, credores, investidores e todos os clientes”, completa.


Editor-assistente

Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.

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